O que é o fluxo de caixa e como aplicá-lo no seu negócio

14/02/2019
Autora: Adriana Pitt Chiarello
 
Nas operações do dia a dia de uma empresa, a organização financeira é fundamental. Para isso, o empresário conta com um instrumento básico de planejamento e controle financeiro, denominado fluxo de caixa. O objetivo dessa ferramenta é apurar e projetar o saldo disponível para que exista sempre capital de giro, para aplicação ou eventuais gastos. O planejamento financeiro deve iniciar com a análise de dados históricos da empresa. Para que seu Fluxo de Caixa seja passível de projeção é necessário estabelecer o período que ele será planejado, levando em conta o tamanho e ramo de atividade da empresa. Lembre-se que a sua projeção deve estar embasada nos dados obtidos no seu planejamento financeiro. E quanto mais detalhado for o seu fluxo de caixa, melhor será o controle e a comparação entre o projetado e o realizado, para assim verificar quais foram as vantagens e estabelecer medidas corretivas caso ocorra desvantagens.
 
Para começar a montar um fluxo de caixa projetado, tenha disponível as seguintes informações, sempre com valor e data prevista de pagamento ou recebimento:
Receitas: 
Saldos iniciais em caixa (dinheiro em caixa, aplicações financeiras e saldos disponívies em conta corrente);
Vendas realizadas à prazo, com vencimento no período que se quer ver o fluxo de caixa; 
Vendas previstas à vista e a prazo. Projetar as vendas mensais e detalhar por recebimento à vista e à prazo, baseado num histórico recente;
Entradas previstas de outras receitas como venda de imobilizado, empréstimos e outros;
Cheques pre-datados à receber, cartões de crédito à receber, cobranças judiciais, entre outros;
Despesas
Relacione as contas a pagar de compras e gastos que estão à vencer, já contratados;
Projete a necessidade de compras de mercadorias ou produtos para industrialização e pagamento a fornecedores;
Com base no faturamento previsto, faça uma projeção das despesas variáveis, como impostos, fretes e comissões. 
Projete também as despesas fixas como salários, encargos, água, luz, telefone e aluguel. 
 
Faça a diferença entre os recebimentos e pagamentos. Analise a necessidade ou sobra de capital de giro considerando essas informações. Veja se sobra recursos para investimentos ou retirada para sócios. Relacione abaixo o que ainda tem que ser pago nessas contas, que já foram contratadas referente a empréstimos, consórcios, financiamentos e outros. 
 
No início do preenchimento do fluxo de caixa, surgirão dificuldades para elaborar o controle. Mas, em pouco tempo, poderão ser sentidas a enorme ajuda e importância de tomar as decisões com base em previsões de entrada e saída de recursos.
O saldo de caixa não indica, necessariamente, que a empresa está tendo lucro ou prejuízo em suas atividades operacionais. A existência do saldo final deve ser confirmada preferencialmente a cada dia.
Saldos diários elevados, tanto negativos quanto positivos, sugerem a necessidade de melhoramentos na organização financeira, pois implicam financiamentos a custos elevados (saldo negativo) ou custo de oportunidade da aplicação (saldo positivo) e que poderiam render juros em aplicações ou melhores condições de pagamento junto a fornecedores. Para ter uma empresa saudável é preciso controlar o fluxo de caixa.
Saldos negativos devem ser analisados. A primeira providência é descobrir as causas: atraso nos recebimentos, alta taxa de inadimplência, queda repentina nas vendas, atraso nos recebimentos dos clientes, etc. Esse problema também ocorre se as diferenças entre os prazos de recebimentos e os pagamentos forem altas e a empresa não se planejar com a organização do capital de giro.
Se a empresa vender muito mais em um mês do que em outro, sem se organizar, poderão ocorrer falhas no fluxo - já que os pagamentos podem ocorrer antes dos recebimentos relativos às vendas. Por isso, é necessário ter uma reserva de capital de giro. Por outro lado, as faltas no caixa devem ser avaliadas para saber se não ocorrem devido às vendas estarem abaixo do ponto de equilíbrio.
Empréstimos bancários, dos sócios e descontos de duplicatas também são alternativas viáveis, porém, não devem ser o primeiro recurso. Mesmo se forem utilizados, devem ser previamente analisados.
É fundamental ficar atento à cobrança de juros, para não acarretar problemas sérios de endividamento, ao invés da reversão dos saldos negativos.
Acompanhe sempre o previsto e o realizado, anotando tudo o que foi efetivamente recebido e pago, assim fica evidenciado o que se realizou e possíveis ajustes na elaboração do fluxo de caixa.
Seja persistente no controle. Planejando dá certo!

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