Capitalismo Consciente: uma nova narrativa para os negócios (2)

04/10/2018

       Por Joselane Sartori Vezaro

                Abordamos na primeira parte do artigo como nos últimos anos iniciou-se a compreensão da necessidade de repensar as bases fundamentais do capitalismo e quais são os impactos positivos que isso pode trazer para as organizações e para a sociedade.  Citamos livros, autores e movimentos que têm apresentado e ampliado o conhecimento das bases do Capitalismo Consciente. Leia em  https://bit.ly/2P2kpmd.

                Sendo a narrativa do Capitalismo Consciente centrada na necessidade de cultivar uma nova consciência de como liderar e conduzir os negócios, apresentamos os seus pilares. Sendo os conceitos  apresentados a partir das abordagens dos autores que os têm disseminado, entre eles estão Raj, Nilima eThomas.

 

                PROPÓSITO EVOLUTIVO

                É a diferença que a empresa está tentando fazer no mundo. Ao focar nisso, uma empresa inspira, envolve e energiza seus stakeholders, ou seja, cria um impacto positivo muito maior para todos. O lucro não é o objetivo, mas um meio para o propósito. A tese de Raj Sisodia é fundamentada por análises financeiras e aponta que empresas com propósitos além do lucro não só fazem bem para a sociedade, mas aumentam o seu faturamento. O propósito e os valores constituem o núcleo de uma empresa consciente.

                O propósito das empresas é (ou deveria ser) elevar a humanidade, atendendo às necessidades reais, oferecendo trabalho significativo, espalhando prosperidade, e possibilitando mais pessoas a viverem vidas mais satisfatórias e humanas.

                INTEGRACÃO DE STAKEHOLDERS

                Uma organização deveria criar conscientemente valor multifacetado com e para os stakeholders (clientes, empregados, investidores, comunidade, meio ambiente, etc), que são todas os entes que impactam ou são impactadas pela organização. Todos são igualmente importantes e são conectados por um senso de propósito e valores compartilhados, preservando a harmonia e a integração das partes. Passa-se a pensar em mudar a mentalidade da barganha (trade-off) e busca-se a sinergia para ganhos simultâneos.

                O bem-estar de cada stakeholder deveria ser visto como um fim por si só e não como um meio de fazer mais dinheiro aos acionistas.

                CULTURA RESPONSÁVEL

                Diante dos cenários de medo e níveis insalubres de estresse, as organizações dão pouca atenção à sua cultura, permitindo que evolua por conta própria.

                Organizações conscientes promovem intencionalmente culturas com altos níveis de confiança, autenticidade e cuidados genuínos.Tanto a forma de gestão quanto a cultura organizacional são fatores fundamentais para a prática do Capitalismo Consciente, na medida em que devem garantir a força e a estabilidade necessárias para a preservação do propósito maior da empresa.

                Confiança, responsabilidade, transparência, integridade, igualitarismo, justiça, crescimento pessoal, amor e cuidado são algumas das características comuns de uma cultura consciente. Enfim, criar cultura para nutrir e elevar a vida.

                LIDERANÇA SERVIDORA

                Reimaginar a liderança talvez seja o pilar mais fundamental do Capitalismo Consciente.

                Líderes conscientes são basicamente altruístas. Eles se importam mais com as pessoas e com o propósito do empreendimento do que com seu limitado interesse individual (ganhos, ego,...). Buscam o poder com e não poder sobre as pessoas. Atuam como mentores motivando, desenvolvendo e inspirando pessoas.

                Organização que usa apenas incentivos financeiros para atrair e motivar os líderes, obterá aquilo que valoriza pela remuneração, ou seja, líderes motivados pelo dinheiro. Tais líderes são menos capazes de inspirar a sua equipe a níveis extraordinários de engajamento, criatividade e desempenho.

                A concretização do Capitalismo Consciente requer a plena atuação de líderes conscientes, dotados de elevados níveis de inteligência analítica, emocional e espiritual, de forma que sejam capazes de refletir sobre o negócio e conduzi-lo de forma sofisticada e complexa.

                Portanto, o Capitalismo Consciente representa uma reconsideração abrangente que as empresas podem e devem fazer. O movimento procura reformular a narrativa dos negócios de acordo com esses princípios. É simplesmente uma maneira melhor de se fazer e transformar os negócios.

               Um negócio consciente continua a ser um negócio: deve ter um bom modelo de negócios, estratégias competitivas saudáveis e a disciplina para executar e gerir bem a empresa.

               A combinação de boas práticas empresariais com os 4 pilares, eleva as empresas a um maior sucesso operacional e as torna agentes de prosperidade da sociedade.

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